Meu nome não é JohnnyO jornalista Guilherme Fiuza, autor do livro
Meu nome não é Johnny (Record), é o convidado especial do boletim Tempo de Letras que vai ao ar esta noite na CBN. Ele fala sobre a adaptação de sua obra para o cinema, que está fazendo o maior sucesso. E quem estiver no Rio amanhã e quiser ouvi-lo (e vê-lo), a oportunidade será na palestra que ele fará na Casa de Rui Barbosa (Rua São Clemente, 134, Botafogo), às 14h. O evento faz parte da série de encontros Livros na Mesa.
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Box com Machado de AssisEm comemoração ao centenário da morte de Machado de Assis, a editora Globo lança em abril deste ano uma caixa com os três principais romances do escritor. Os textos foram rigorosamente fixados e anotados por especialistas, superando e corrigindo erros e imprecisões, e contam com prefácios de três estudiosos, todos estrangeiros:
Dom Casmurro é prefaciado pelo inglês John Gledson;
Memórias póstumas de Brás Cubas, pelo português Abel Barros Baptista; e
Quincas Borba, pelo alemão radicado no Brasil Willi Bolle.
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Saramago já escreve novo livroO escritor português José Saramago deixou a clínica onde esteve internado na cidade espanhola de Lanzarote, nas Ilhas Canárias. Ele havia se internado de forma voluntária após receber um diagnóstico de pneumonia, em novembro do ano passado. Segundo sua filha, Violante Saramago Matos, o escritor já está em casa, consegue caminhar com a ajuda de uma bengala e o melhor, voltou a escrever seu novo romance, que tem como título
A viagem do elefante. Hoje também foi anunciada em Lisboa a abertura de uma grande exposição dedicada à obra de Saramago. A mostra, intitulada
A consistência dos sonhos, ocupará a partir de 23 de abril mil metros quadrados da Galeria Rei Dom Luís, onde serão expostos originais dos livros do escritor luso, assim como o diploma do prêmio Nobel de 1998 e objetos pessoais.
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Homenagem a Mário de AndradeUm evento amanhã em São Paulo marca o lançamento da obra completa de Mário de Andrade pela Agir. Três títulos chegam este mês às livrarias:
Macunaíma,
Os filhos da Candinha e
Amar, verbo intransitivo. O ator Pascoal da Conceição lerá trechos dos livros. Marcelino Freire e André Laurentino lerão seus e-mails fictícios para Mário, uma homenagem e espécie de atualização da longa relação, via cartas, que o escritor paulista manteve com seus contemporâneos. O evento terá ainda a apresentação de um pocket show com o grupo A Barca, cujo repertório é baseado nos registros feitos por Mário de Andrade ao longo de sua vida e pela Missão de Pesquisas Folclóricas em 1938. A partir das 19h, na Livraria Cultura (Avenida Paulista 2.073, Conjunto Nacional) Também na noite desta segunda entra no ar um site sobre Mário de Andrade. O endereço é
http://www.mariodeandrade.net
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Feira do livro tem educação como tema principalA educação será o foco da 3ª Feira Nacional do Livro Poços de Caldas (MG), que será realizada de 2 a 6 de abril, no Palace Casino. Os organizadores convidaram a educadora Ingedore Villaça Koch para ser a patronesse do evento, que tem como objetivo discutir a falta de qualificação dos profissionais no mercado. Ingedore, uma apaixonada pela língua e pela leitura que virou bibliotecária aos 10 anos só para poder levar livros pra casa, é uma das maiores especialistas em lingüística textual. Militante do idioma, autora de 14 livros, ela sugere caminhos para os professores reverterem os índices oficiais, que mostram que os alunos do ensino fundamental são incapazes de interpretar textos. Segundo Ingedore, a língua não deve ser ensinada só com base na gramática, mas com muita leitura. No dia 1º de abril, às 20h, ela fará a palestra de abertura do evento, aberta a todos os interessados em buscar soluções para a educação no país. Outras informações sobre a feira no site
http://www.feiradolivropocosdecaldas.com.br
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Espaço para inéditosA Geração Editorial abre espaço para novos escritores em seu site. Batizado de Todos Nós, é aberto para crônicas e contos inéditos. Os melhores são publicados no site e o autor escolhido ganha um prêmio-surpresa. Basta enviar o texto identificado com nome, endereço completo e telefone para todosnos@geracaobooks.com.br. O vencedor será escolhido em março. Para conhecer os escolhidos das edições anteriores, acesse
http://www.geracaobooks.com.br/colunistas/colunista.php?colunista=16
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Contrabando afetivoA escritora paulista Ana Rüsche está lançando
Acordados (Demônio Negro) com distribuição por contrabando afetivo, uma forma que ela encontrou para fazer o livro chegar a pessoas que dificilmente teriam acesso a literatura contemporânea. Confira como funciona no boletim Tempo de Letras que vai ao ar esta noite na CBN. Seguem trechos do livro, uma trama urbana inspirada em personagens estereotipados de São Paulo.
"Mesmo agora no bar, diante de tantas faces cansadas e bêbadas, é difícil pronunciar "eu": a palavra existe, no entanto não era eu, não era ela, não era o sangue, não era a terra coagulada, é terrível, oca, oca. A tristeza é a língua emprestada do cinema, com suas frases de plástico e abraços medidos, ela não iria chorar, tinha orgulho, orgulho; e a companhia não retornava do banheiro, amassou com uma raiva cancerosa o cigarro curto no cinzeiro, aquele gasto inútil, batucava agora na mesa com ambas as mãos, o batuque comendo as paredes, a garrafa marrom, as paredes verdes, o vermelho, a terra, a terra. Oca.
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O locador da casa é um, mas o do terreno é outro – nunca há acordo sobre os verdadeiros proprietários, como, aliás, acontecia com todas as casas na redondeza – cobram-se impostos e o aluguel era pago em parcelas miúdas, veja, o valor é justo, nunca nos ameaçaram se houvesse algum atraso, e pagavam as pinguelas. Lola gosta demais dali, uma falta bem temperada de silêncio pelas histórias furadas dos desempregados, doloridas dos desenganados de amor sentados na calçada, música ritmada espraiada nas noites, das paixões e arranca-rabos (Lola ouvia todas as brigas do casal ao lado), portas batendo às 4h30, hora de sair para trabalhar no centro e as crianças aos berreiros ardidos pelo lugar errado do mundo. Ali era casa.
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O universo pariu-se em uma explosão de frascos de perfume contra a parede do banheiro, 15 invólucros espatifados, cada qual contendo um ínfimo big bang. Entretanto, frascos de perfume não são tão frágeis quanto parecem: é necessário força, concentração e perseverança para quebrar um único contra a parede. Como a suicida que engoliu 500 comprimidos. Duração: 10 minutos. Engolidos um a um, tragados inexploravelmente na linha de montagem língua, glote, degluta. Caso a suicida suspendesse os movimentos mecânicos ininterruptos, acordaria provavelmente no hospital tetraplégica, com o fio de vida desfiando em depressão e o estômago revirado por lavagens estomacais. E ela queria paz. Dez minutos de concentração e perseverança contra a parede. Fibra. Como a suicida. O primeiro frasco foi lançado 3 vezes antes de findar em estilhaços.
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Ninguém comemora. Alegria sente-se um pouco adoentada. Hoje não estava boa. Provavelmente a expectativa da reunião durante a tarde toda é que a desanimara. Seu tempo se esgotara, nenhum número podia resgatá-la dos pensamentos relampejados sobre engolir seguidamente os 500 comprimidos que mantinha em segredo no armarinho do banheiro, para um dia, quem sabe? Mas agora tinha que estar em reunião dentro de trinta e seis minutos. Alegria despede-se pela porta da frente.
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Cardumes de dois peixes, um grande aquário com sua sinfonia misteriosa da inaudição e eram sereias que não se podiam vislumbrar os cantos e eram algas que balançavam em ternos velhos, sargaços de amores esquecidos, trazidos e levados embora com as ondas daquelas canções de outros tempos.
Havia muita música ali, mas Lola já não conseguia ouvir.
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As explosões não ressoaram todas juntas, foram florescendo como sinos em um canhão, de início, opacas, mas ao entrar o coro adquiriram um tom brilhante e cadenciado, carrilhão que arrancava toda poeira do solo, destruía todas as celas em arroubos estrondosos e as transformavam em fragmentos, em cacos, em pedrinhas, desfazendo as memórias de que um dia foram grades, paredes, uma penitenciária, a areia do que já fora sólido, o que se transforma em pó, desmancha-se às flores no ar.
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Sexta é o mais cruel dos dias, deslindando o lilás de néons de convites para depois do trabalho, entremeio do asfalto escuro, unindo o que era antes memória em desejos, a raiz sem viço das tulipas de cerveja amarga, que nos nutre, a vida pouca em copos molhados. E tento, afasto as madeixas escuras caídas – elas escondem, roubam-me teus olhos escuros, não adianta, irmãzinha, teu cabelo era escorrido, agora não é mais, ficou crespo, bin gar keine Russin, stamm' aus Litauen, recite o verso, isso era, isso era, irmãzinha, agora a tática é terra arrasada, para que ninguém coma ou sobreviva fora de trincheiras, de lancheiras e horas do recreio, um sinal: em fila, isso foi, agora não é mais.
Cidade irreal, sob a névoa marrom, o sol poente é maior e nos clama, ao oeste, ao oeste!, e as brumas escuras da noite apertam-me a garganta, é final de semana – o que você vai fazer hoje, Clarissa? E o nome bate o sino da catedral, sete horas, é verão, a claridade da noite quente inunda-me por um momento, fugidio e difícil, Clarissa, Clarissa, multidões inundam a rua, o bar ali na esquina, consigo avistá-lo aqui de cima, tulipas embaciadas por histórias de mulheres fáceis, de traição súbita e espelhinho na bolsa, linda essa cor de esmalte! Não imaginava que a vida houvesse aniquilado tantas."
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Literatura de baixo-ajudaO trecho abaixo é do conto
Como ganhar um Jabuti, de Andréa del Fuego, e faz parte do livro
35 segredos para chegar a lugar nenhum (Bertrand Brasil), organizado por Ivana Arruda Leite. É o assunto desta segunda-feira no boletim Tempo de Letras, que vai ao ar às 22h32 pela CBN.
"Pra começar, saiba que o círculo literário é um maço de cigarros, cabe na bolsa.
Em festas literárias ou simples cerveja com autores, sorria sempre, e muito. Está desgastada a imagem do escritor instrospectivo. Deixe a boca aberta e vire a cabeça de um lado para outro aumentando o raio de alcance. Indica segurança em todas as instâncias: seguro, se a crítica tirou a sua pele; seguro, se não vendeu livro algum; seguro, se nem livro publicou ainda. Refiro-me aos inéditos porque são os que mais querem um prêmio literário, os veteranos fingem que não.
Importante: boca aberta só para sorrir, cuidado com o que fala.
Quando estiver numa roda de escritores amigos, fale apenas o necessário, não vá discordando. Eles bebem juntos para brindar, não atrapalhe. Não cante escritoras casadas nem escritores enrolados, eles são confusos e vão te evitar depois.
Pega bem não ir a todos os eventos; de vez em quando, não vá."
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Machado para os mais jovensAproveitando o Ano Machado de Assis, por conta do centenário de morte do escritor, a Rocco lança no próximo mês pelo selo Jovens Leitores uma coletânea com oito contos sobre mistérios do amor e ciúme escritos pelo bruxo do Cosme Velho. São eles: Verme, To be or not to be, Frei Simão, Curiosidade, O machete, O segredo de Augusta, A cartomante e A carolina.
Machado de Assis: Contos de amor e ciúmes é uma boa introdução para o público juvenil à obra do responsável pelo dilema amoroso mais discutido do século no meio literário, o de Capitu e Bentinho, em
Dom Casmurro. A seleção e apresentação da coletânea são do Doutor em Literatura Comparada e professor de literatura na Universidade do Estado do Rio de Janeiro Gustavo Bernardo.
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Oficina de narrativaO Centro Cultural B-arco (Rua Dr. Virgílio de Carvalho Pinto, 422, São Paulo) promove em fevereiro uma oficina de narrativa com Mário Bellatin e Maria Alzira Brum Lemos. Os 12 participantes vão produzir um romance coletivo. Para participar, basta enviar até 30 de janeiro um texto de aproximadamente 20 linhas, expondo os motivos pelos quais quer participar desta experiência, para o e-mail contato@obarco.com.br. Colocar na linha do assunto: texto bellatin. Outras informações no site
http://www.obarco.com.br
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