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Simone Magno
   
     
 

A força do sexo

Muita gente torceu o nariz quando ouviu dizer que Bruna Surfistinha, ou melhor, Raquel Pacheco seria uma das convidadas da Bienal Internacional do Livro do Rio de Janeiro. Mas o Café Literário da Bienal ficou lotado na noite desta terça-feira para o debate Liberdade ou libertinagem?, que reuniu a autora de O doce veneno do escorpião com a escritora Gisela Rao, que publicou, entre outros, Desvendando os homens, e a bruxa Márcia Frazão, de Manual mágico do amor ou como amar sem culpa. Muito séria, Bruna contou receber e-mails de mulheres que dizem que a vida sexual com seus maridos melhorou depois de terem posto em prática os ensinamentos do livro da ex-garota de programa. "Toda mulher tem uma garota de programa dentro de si e não sabe", garantiu. Márcia levou a platéia às gargalhadas ao explicar as receitas das estranhas poções que ensina às leitoras. "Se a mulher tiver coragem de fazer, vai ser capaz de qualquer coisa", disse. Gisela falou de seu próximo livro, É dando que se recebe, uma espécie de manual para as saias justas do mundo moderno.

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Bienal do Livro de Minas Gerais

A Bienal do Livro chega a Minas Gerais em 2008. A Fagga, organizadora da Bienal do Rio, anunciou o evento mineiro para 15 a 25 de maio de 2008. O projeto foi desenvolvido a partir do Salão do Livro de Belo Horizonte. O tema da primeira edição será o Japão, por conta da comemoração do centenário da imigração japonesa no Brasil. A curadoria do Café Literário será assinada pela mineira Guiomar de Grammont, diretora do Instituto de Filosofia, Artes e Cultura da Universidade de Ouro Preto, e responsável pelo Botequim Literário na Bienal do Livro do Rio de Janeiro. A expectativa é que o evento mineiro conte com 90 expositores e cerca de 125 mil visitantes.

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A poesia de Ruth Rocha

Quem vier à Bienal do Livro vai conhecer em primeira mão o novo livro de Ruth Rocha. Toda criança do mundo mora no meu coração acabou de chegar ao estande da editora Ática. Um belo volume com 27 poemas escritos por ela ao longo desses quase 40 anos de carreira. São textos com estrutura e vocabulários simples, mas que vão agradar até aos adultos. As ilustrações são de Mariana Massarani, craque na leveza e na cor. Confira um dos poemas:

Espírito de contradição

Eu disse: - Sim!
Você disse: - Não!
Eu disse: - Pé!
Você disse: - Mão!
Eu disse: - Biscoito!
Você disse: - Pão!
Eu disse: - José!
Você disse: - João!
Eu disse: - Sim!
Você disse: - Não!
Eu acho bom
Você acha ruim
Eu acho bonito
Você acha "o fim"
Mas se pensarmos
com muito cuidado
Vamos descobrir
O "por outro lado"



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João Ubaldo Ribeiro na escola

O escritor João Ubaldo Ribeiro disse hoje no Café Literário, na Bienal do Livro, que aos 10 anos de idade já tinha devorado toda a obra de Monteiro Lobato, mas que se tivesse que responder a perguntas sobre os livros dele na escola não teria lido nenhum. Para reforçar o absurdo e a burrice, segundo ele, das questões que costumam ser formuladas sobre obras literárias aos estudantes, disse ainda que teria sido reprovado se o tema fosse sua própria obra. E mais: que os alunos o odeiam por causa de Sargento Getúlio, seu livro mais pedido nos vestibulares. João Ubaldo Ribeiro fez a platéia gargalhar ao contar que nas férias o pai o obrigava a copiar os Sermões, de Antônio Vieira, “com letra boa”. A platéia veio abaixo quando ele disse que poucas pessoas lêem livros nesse país, mas que isso não vai mudar porque “o presidente da República tem feito acentuados esforços para evitar que o brasileiro faça essa coisa desagradável”.

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O menino que quebrava ovos na própria cabeça

O escritor australiano Markus Zusak encantou o público que foi vê-lo na tarde de hoje no Auditório Clarice Lispector, no terceiro dia da Bienal do Livro do Rio de Janeiro. O local foi pequeno para comportar tantos fãs. As 200 cadeiras lotaram rapidamente, e cerca de 100 pessoas tiveram que se acomodar no chão. Ele contou que na primeira vez em que fez uma leitura em público, há sete anos, não apareceu ninguém, e acabou apresentando seu trabalho apenas para o funcionário do local. Para provar que seu livro A menina que roubava livros fez sucesso por conta do narrador inesperado, contou uma passagem de sua adolescência, quando se vingou do irmão mais velho, cujo principal esporte era xingar e surrar o hoje escritor. O irmão costumava quebrar ovos cozidos na própria cabeça antes de comê-los e uma vez Markus trocou os ovos cozidos por crus. Acabou confessando a travessura ao pai antes de o irmão perceber a troca mas, ao invés de receber uma bronca, ouviu do pai que a idéia era brilhante. Markus acabou apanhando do irmão mas a dor valeu a pena. O escritou explicou que sempre que conta essa história, em qualquer país, a reação do público é mais intensa quando ele fala do comentário do pai do que o momento em que a vingança é consumada.

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O menor e o maior livro da Bienal

Além dos lançamentos e das ofertas, entre os livros da Bienal há curiosidades que vale a pena conferir. A Ediouro, que publica o Guinness Book, deu destaque em seu estande para o maior livro do mundo, uma versão gigantesca de O pequeno príncipe com 2 metros de altura por 1,54 de largura. Já a editora peruana Los Libros Más Pequeños del Mundo oferece microlivros, em edições caprichadas com direito a capa dura. O menor deles, com frases de amor, tem cerca de um centímetro de altura e meio de largura. Outros volumes um pouco maiores, com cerca de 3cm x 2cm, trazem clássicos como a Bíblia, o Kama sutra (com direito a imagens) e... O pequeno príncipe. Pelo menos esse dá para levar para casa.

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Público pequeno no principal evento de abertura da Bienal

Os expositores capricharam nos estandes, que estão bonitos, e na programação paralela. É ótimo circular pelo Riocentro ainda meio vazio neste primeiro dia da Bienal do Livro. Em compensação, o principal evento de hoje teve um público decepcionante. Cerca de 50 pessoas estiveram no auditório Machado de Assis para assistir ao encontro do afegão Shah Muhammad Rais com a americana Deborah Rodriguez e o argelino Yasmina Khadra. Não poderia haver três pessoas tão diferentes no palco. O primeiro, sisudo, de terno e camisa fechada no pescoço. O terceiro, um homem miúdo, simpático, de óculos. Deborah, de cabelos e casaco vermelhos, cuidadosamente maquiada como convém a uma cabeleireira. Já o Café Literário ficou lotado para a homenagem que os integrantes do Casseta&Planeta fizeram a Bussunda. O espaço é bonito e aconchegante. Além das histórias engraçadas, muitas já conhecidas do público, os humoristas disseram que pouco antes de morrer, além das biografias que adorava ler, Bussunda encarou Quando Nietzsche chorou e Richard Dawkins.

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Martha Medeiros apresenta 35 cartas fictícias

A escritora gaúcha Martha Medeiros vai lançar na XIII Bienal Internacional do Livro do Rio de Janeiro seu décimo sétimo livro, Tudo que eu queria te dizer. O volume reúne 35 cartas fictícias, de personagens em situações-limite. Por telefone, Martha disse que ele é quase um livro de contos e que escrevê-lo foi um grande exercício de criação. "Pude escrever como homem, como esquizofrênico, como adolescente, como senhora de idade. São pessoas precisando desabafar, num momento de catarse." As histórias trazem situações corriqueiras. Especialista em crônicas emocionadas, que publica nos jornais O Globo e Zero Hora, Martha Medeiros aposta que os leitores vão se identificar com algumas das cartas. Ela estará no Café Literário no dia 22, às 18h, ao lado do psicanalista Jurandir Freire Costa e da psicoterapeuta Maria Tereza Maldonado. O tema: Quem é feliz tem razão?

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David Toscana vem lançar novo livro

O mexicano David Toscana é um dos autores estrangeiros convidados para a XIII Bienal Internacional do Livro do Rio de Janeiro. Ele, que já esteve por aqui no ano passado, na IV Festa Literária Internacional de Paraty, vem lançar agora O exército iluminado (Casa da Palavra), fábula que narra o triunfo da loucura sobre a história. Ele participa do Café Literário no sábado, às 14h, com o escritor e cineasta gaúcho Tabajara Ruas. O tema: O romance mágico. Logo depois, Toscana faz uma sessão de autógrafos no estande de sua editora. Confira um trecho do novo livro:

"Como se ganha uma guerra, Matus?, pergunta Azucena distraída, enquanto cospe saliva nos dedos para limpar uma mancha nos sapatos de Cerillo, é preciso matar todos os inimigos? Matus pára a mula; não esperava por essa pergunta que nenhum soldado deve fazer. Vira-se para trás e nota que Azucena e o resto da tropa o olham sem piscar. Seu impulso é responder que eles devem se limitar a seguir ordens, e ainda mais, seja vitória ou derrota, acontecerá por união; todavia vê a si mesmo como o primeiro morto da batalha e conclui que um bom general deve preparar seus subordinados para continuar a luta. Acho que não sabe, sussurra o Milagro. Matus se imagina de novo em uma sala de aula e busca as palavras que um professor usaria para responder à pergunta de Azucena. Não precisa matar todos, diz ao fim, deve haver diferença entre uma guerra e um extermínio. Nós mexicanos perdemos incontáveis guerras e aqui continuamos, dispostos a perder outras tantas. A guerra é como o xadrez, se todas as peças forem comidas, elas não fazem falta, com exceção do rei. Seus pupilos não mudam a expressão de dúvida e Matus compreende que o xadrez não faz parte do universo iluminado. Viu só, insiste o Milagro, eu disse que ele não sabia. Conquistar um país é como conquistar uma mulher, não precisa dominar todo seu corpo, só aquela estranha região entre as pernas; isso basta para ganhar sua mente, seu coração e seus favores. Ubaldo fica de pé, incomodado. Não venha com aquele papo de que para vencer os gringos precisamos dizer-lhes gracinhas ao pé do ouvido, deixe de comparações estúpidas e nos diga as coisas como são. Comodoro olha pálido para Ubaldo; ele jamais se atreveria a falar desse modo com um superior. Matus vira e incita a mula a andar novamente. Não é estupidez, diz, ia dizer que a virilha do Texas se chama El Álamo, e quem for dono de El Álamo será dono de todo o Texas. Matus o descreve como um antigo casarão de tijolo, um pouco destruído pelo passar dos anos, habitado em uma época por frades e que ainda mantém seu ar religioso. Em El Álamo não podemos deixar nenhum sobrevivente, assim como foi feito há mais de cem anos, quando nossos antepassados acabaram com todos, inclusive com o mais covarde deles, um pobre diabo que se escondeu com medo debaixo da cama, e que ao ser surpreendido pediu perdão de joelhos. Mas não teria nenhuma piedade para um ladrão de pátrias, e o metal entrou na sua carne e o gringuinho gritou e chorou e sumiu em contorções. Por isso quando tomarmos El Álamo, teremos de vasculhar bem embaixo das camas, porque é ali onde os covardes se escondem. Comodoro dá pouca atenção, não entende bem as comparações de Matus e não tira seus olhos admirados de cima da virilha de Azucena, mesmo que com ar religioso."

David Toscana, em O exército iluminado


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A vocação de Lygia Fagundes Telles

"Quando me perguntavam o que eu queria ser respondia, Escritora. Mas não falava em vocação, tinha pudor em assumir o ofício porque poderia parecer arrogância com um toque até de soberba. Só mais tarde compreendi que na vocação não está incluída a glória, tantas vocações verdadeiras e o silêncio, ninguém leu, ninguém viu. Vocação seria então apenas isto, atender ao chamado sem se preocupar com o resultado, cumprir o aprendizado da paciência e do amor." Esse é um trecho de O chamado, texto que fecha Conspiração de nuvens (Rocco), novo livro de Lygia Fagundes Telles, um misto de ficção e memória que é também uma reflexão sobre literatura. Lygia faz referências à sua própria obra, transformando o livro em uma análise emocionada do seu processo de escrever. A escritora paulista é uma das convidadas da XIII Bienal Internacional do Livro do Rio de Janeiro, que começa nesta quinta-feira. Ela estará na Esquina do Leitor no dia 22, às 17h, debatendo lirismo e memória com o português Manuel Alegre. Ele vem lançar Cão como nós (Agir), que fala sobre as relações que se estabelecem entre as pessoas e os cães. Manuel é um dos 21 escritores estrangeiros no evento. Brasileiros, são 300. Os três pavilhões do Riocentro vão abrigar 950 expositores em 55 mil metros quadrados. Os organizadores esperam vender 2 milhões de livros nos 10 dias de evento.

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  PERFIL
   
 

Simone Magno é jornalista e responsável pelo boletim TEMPO DE LETRAS, no ar desde maio de 2007, dentro do programa CBN Noite Total. Cobriu as edições da Flip desde 2006. Vive cercada de livros pelo menos desde os cinco anos de idade, mas pode ser que a paixão tenha começado antes. Publicou um livro de poesia, Avelã pirata, e mantém um blog com minicontos, A lua depois do gravador.


e-mail:
simone.magno@cbn.com.br


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